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Sol Saldanha - Arroto

Versos magníficos da poetisa e militante currais-novense Sol Saldanha. Envolvida com a causa feminista autora de Não sou feminista porque quero, apresenta um belo texto intitulado "Arroto"

Essa é para você
Que acha que tem direito
De andar mostrando o peito
Descoberto pela rua
Mas cerceia o tamanho
Do meu short e mini saia
Que abusa nos trejeitos
Quando vê um tomara que caia
Saiba-se um tremendo otário.
O meu corpo não tem dono?
Não merece o seu respeito?
Se liga aí, sujeito:
Tua infâmia é de nascença
Liberte-se dessa crença
Que te faz um vil colono.
Se cobrir pouco é arbitrário,
Imagina o contrário?
Se do nada amanhecesse
E passássemos pelas ruas
Com os nossos seios de fora
Com as nossas costas tão nuas.
Seria a carnificina
A cada esquina uma chacina
A sangria desatada
Escrota e escancarada
Que todos fingem não ver
Pois mulher nem é gente,
Não pensa, não decide, não sente
Mulher é um ser sem ser.
RESPEITA O CORPO DAS MINAS!
RESPEITA A NUDEZ DAS MANAS!
Ou se reconheça animal
Com sua ótica machista
Com um par de cabresto na vista
Primitivo,
Insano e
Irracional.
Se você é Incapaz de conviver
De perto com um corpo nu
Fazendo o que a gente faz,
Seja moça ou rapaz,
Não tenho muito a dizer
A não ser mandar você
Tomar no centro do (..)

Simplesmente Sol
Literatura 4371225277258705275

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